Vacina contra HIV será testada em humanos pela primeira vez no Brasil

Postado em 02/08/2019



Após 15 anos de pesquisa, uma vacina preventiva contra o HIV entrou na fase final de testes e será aplicada em humanos pela primeira vez no Brasil e em mais outros sete países da América e da Europa. O anúncio das etapas do projeto foi feito na última terça-feira (23), na Cidade do México, durante a 10ª Conferência da International AIDS Society sobre a Ciência do HIV (IAS 2019).

Uma série de estudos realizados em macacos teve início há 15 anos. Esses estudos refinaram a ideia da composição de uma vacina e determinaram o regime de dosagem mais eficaz. A segunda fase de testes, chamada Imbokodo, já está em andamento na África do Sul, Malawi, Moçambique, Zimbábue e Zâmbia. Estudos anteriores foram realizados nos Estados Unidos, Tailândia e outros países africanos. Após a realização dos testes no Brasil e nos outros países participantes, os resultados serão comparados com os estudos anteriores e divulgados em 2021.

A eficácia da vacina, chamada Mosaico, de quatro doses ao ano (uma a cada três meses) será avaliada em 3.800 voluntários dos oito países, que incluem indivíduos do sexo masculino e indivíduos transexuais que mantêm relações sexuais com outros homens e com transexuais, e que tenham idades entre 18 e 60 anos.
 

Mosaico

A metodologia dos testes e das pesquisas se baseia no formato de um “mosaico de antígenos”. A nomenclatura “antígenos” se refere a uma substância capaz de desencadear a produção de anticorpos no organismo.

Com uso de engenharia genética, a vacina utiliza o adenovírus, parente do vírus da gripe, para estimular a resposta do sistema imunológico.  A vacina consiste na junção de subtipos de HIV, que não são capazes de deixar a pessoa com o vírus, mas, sim, de estimular as células de defesa a criar uma barreira contra os principais tipos do vírus.

Cada subtipo foi estudado de acordo com a incidência do vírus predominante nas diferentes regiões geográficas. De acordo com os pesquisadores, assim como o índice de contaminação nos países é diferente, cada local apresenta um tipo de HIV nos organismos portadores do vírus. Na África, por exemplo, é mais comum o subtipo C; já na Europa e nas Américas, é mais predominante o subtipo B.
 

Avaliação da vacina

No período de um ano, o grupo receberá quatro doses da vacina. As duas primeiras doses utilizam um composto criado a partir de um vírus de resfriado modificado e que não causa a doença para entregar quatro substâncias que induzem respostas imunológicas. As outras duas doses são elaboradas com proteínas do envelope viral de dois tipos de HIV.

Participantes dessa fase de testes receberão, além das quatro doses da imunização, um pacote de prevenção contra o HIV que inclui o acesso a medicamentos de profilaxia pré-exposição (PrEP), ou seja, medicamentos que previnem a infecção.

 

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Fonte: catracalivre.com.br; g1.globo.com; revistaladoa.com.br